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MESSIAS ROCHA Domingo, 17 de Junho de 2018, 05:03 - A | A

17 de Junho de 2018, 05h:03 - A | A

MESSIAS ROCHA / MESSIAS ROCHA

COLUNA: O sonho do direito ao voto e o eleitor omisso

Messias Rocha
Nova Mutum
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Segundo o escritor e deputado Rui Barbosa, notável constitucionalista reconhecido como um dos patrocinadores dos direitos individuais e políticos inscritos na constituição de 1891: “...direitos políticos são aqueles que conferem direito ativo de concorrer para a formação do poder e o direito passivo de ser admitido aos seus cargos e funções”. No texto constitucional do qual Barbosa participou da feitura não foi possível avançar muito na direção da universalização do sufrágio brasileiro, mas desde, paulatinamente as conquistas se acumularam. Entretanto, ironicamente, quando parece que alcançamos o máximo do possível nos padrões atuais de democracia: direito de votar e ser votado, participar de plebiscitos e referendar ou não proposições parlamentares, e até mesmo impedir o exercício de cargos públicos, muitos brasileiros resolvem abrir mão de tudo isso e jogar o direito conquistado a duras penas por ar!

O caminho foi longo, árduo e sacrificante. Custou vidas, muitas inclusive. Mas do modo exato como foi idealizado por Rui Barbosa os brasileiros só puderam desfrutar nas eleições de 1989. Encerrada com êxito a longa jornada pela conquista e positivação do direito ao voto, eis que surge e toma o centro do debate outra questão, tão relevante quanto à primeira: a qualidade do voto, ou melhor, a consciência politica dos brasileiros. Por muito tempo acreditamos que o aumento do nível educacional e a democratização do acesso a informação constituíam os entraves a qualificação e instrumentalização do cidadão eleitor para a escolha mais criteriosa dos representasse políticos no país, mas a realidade fática mostrou que estávamos enganados. Passa pleito, volta e passa pleito novamente e o que vimos é o mais do mesmo. O mesmo perfil de eleito, eleito pelo mesmo perfil de eleitor!

Certamente que criar padrões fixos para interpretar pessoas, grupos e sociedades inteiras não é das atitudes mais inteligentes que se pode ter, por isto mesmo seria bastante simplório dizer que o brasileiro-eleitor é incapaz de votar com qualidade.

Contudo, de quem tem na ponta dos dedos a possibilidade de melhorar sua comunidade através da escolha de candidatos ficha-limpa, esclarecidos e comprometidos com as aspirações da comunidade e, ainda assim, opta por abrir mão do único instante no qual ele é o todo poderoso, o mínimo da esculhambação merecida é o xingamento de idiota. E não é idiota do sentido Grego antigo de “alheio às questões da pólis”. Aqui o idiota tá mais para o “analfabeto politico” de Berthold Brecht. Aquele mesmo que se omite para não se sentir responsável pelas escolhas que deveria fazer; ou que alega que a coisa nunca muda, mas segue difundindo a sugestão de voto nulo, mal sabendo ele que esse caminho atende justamente os interesses de quem pretende se perpetuar no poder. Os votos brancos e nulos só anulam a participação do eleitor, mas o candidato continua lá. Como diria o Professor Luiz Flavio Gomes: “para ele... basta o dele”. Portanto, se quiser poder pelo menos apontar o dedo para os malfeitores na coisa pública no próximo ano, não se omita, vote, caso contrário faltar-lhe-á moral para questionar.

 

Messias Rocha – Investigador de Polícia em Nova Mutum/MT.   



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