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MESSIAS ROCHA Terça-feira, 10 de Abril de 2018, 00:07 - A | A

10 de Abril de 2018, 00h:07 - A | A

MESSIAS ROCHA / RODRIGO ROCHA

COLUNA: Um pouco de Lula em cada um de nós

Rodrigo Rocha
Cuiabá



Vivemos esperando atitudes honestas da boca pra fora. Por dentro, em nossa maioria, aguardamos a oportunidade de manter os velhos hábitos de corrupções diárias que não admitimos.

Estamos mais infelizes por não estar de forma igual usufruindo de um triplex, de malas milionárias, do que revoltados com esses fatos: “Ah, se fosse eu, bastaria a chacrinha, ou um carrinho bom; só uma mala dessa já faria minha vida; nem triplex nem duplex, me contentaria com um MRV, etc.”

A corrupção está enraizada em nossa ganância, começamos em “coisas pequenas”, rotineiras, como levar de propósito uma caneta do trabalho para casa ou usar a fotocopiadora para serviços pessoais; depois partimos para “corrupções intermediárias”: contatar um amigo para driblar a burocracia de um atendimento no SUS, para uma vaga numa creche, um QI (Quem Indica) num serviço público, estudar para ser aprovado em concurso, ironicamente, da Justiça com material rateado. E porque não um sistema operacional pirateado também? Aliás, você já viu um CD original do Windows? Um download ilegal aqui, uma freada brusca num radar ali e segue a corrida.

Categorizamos a corrupção em cifras e crimes com truculência pois os conceitos e gravidades mudam na proporção de nosso envolvimento.

E diariamente fugimos de nós mirando para o político desviando milhões e, como dito, para um roubo violento. Esse primeiro, se pudéssemos, estaríamos facilmente no lugar dele, em vez de estar levando de propósito só uma caneta bic pra casa. Não fazemos porque só não temos o acesso. Se pudéssemos, colocaríamos muito mais que R$ 50 mil num paletó; este, se pudesse, seria um Barbosa; este, um Geddel.

Corrupção é driblar o sistema legal, honesto, independente das cifras. Quem comete pequenos delitos é porque ainda não teve acesso ao “de maior” valor.

Isso ocorre sem variáveis sociais, intelectuais, direita ou esquerda. Todos cabemos na mesma régua. E nesse rumo, Lula, como dado o veredito, foi só mais um que teve acesso às facilidades para revelar até onde vai o corrupto que há em cada um de nós.

Há de concordarmos com Dilma em seu mais recente discurso: “Somos milhões de Lula”.

Contenhamo-nos!

Rodrigo Rocha de Oliveira é graduando em direito pela Universidade de Cuiabá e servidor público do mesmo município.



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